Surto de gripe aviária leva EUA a aumentar importação de ovos do Brasil
24 de mar.
Reprodução
Os Estados Unidos aumentaram em 93% as importações de ovos do Brasil em fevereiro deste ano, impulsionados pelo surto de gripe aviária que vem afetando a produção local. Antes destinados exclusivamente à ração animal, os ovos brasileiros passaram a ser utilizados em alimentos processados, como misturas para bolo, sorvete e molhos para salada, ajudando a liberar mais ovos frescos para os consumidores.
A crise foi agravada pelo vírus que dizimou quase 170 milhões de galinhas, perus e outras aves desde 2022. O impacto na oferta fez com que os preços dos ovos no atacado disparassem 53,6% em fevereiro, pressionando a inflação alimentar e resultando em prateleiras esvaziadas nos supermercados e aumento de preços em restaurantes. Em resposta, o governo do presidente Donald Trump lançou um plano de US$ 1 bilhão para reduzir os custos, incluindo o incentivo às importações e o financiamento de pesquisas sobre vacinas para conter o surto.
Além do Brasil, países como Turquia e Coreia do Sul passaram a exportar mais ovos para os Estados Unidos, enquanto o governo americano solicitou à Europa o aumento de suas remessas. Paralelamente, autoridades estudam flexibilizar a regulamentação para permitir o uso de ovos postos por frangos de corte na produção alimentícia. Atualmente, esses ovos são descartados porque não atendem aos padrões de refrigeração exigidos pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA).
A proposta de mudança na regulamentação é apoiada pelo Conselho Nacional do Frango, que argumenta que os ovos descartados poderiam ser pasteurizados e utilizados na indústria alimentícia sem riscos à saúde pública. No entanto, especialistas alertam que a refrigeração inadequada pode aumentar a proliferação de bactérias, como a salmonela, reduzindo a eficácia da pasteurização.
Em 2023, a FDA rejeitou uma solicitação semelhante, mas o setor avícola espera que a atual administração reconsidere a decisão como parte dos esforços para reduzir custos e desburocratizar o setor. A proposta conta com o apoio de parlamentares como o deputado Dusty Johnson, da Dakota do Sul, que defende o uso desses ovos na cadeia alimentar.
A situação também levou alguns estados, como Nevada e Arizona, a suspender temporariamente normas de bem-estar animal que exigiam a comercialização exclusiva de ovos de galinhas livres de gaiolas. Com as novas medidas, o governo busca conter os impactos econômicos e sociais da crise de abastecimento de ovos nos EUA.
Comments