Polícia Civil investiga médico por disparo de arma e possível crime de racismo em Alfenas (MG)
gazetadevarginhasi
há 1 dia
2 min de leitura
Reprodução
A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar um médico de Alfenas (MG) que atirou em um homem no bairro Jardim São Carlos. O caso, que ocorreu na última segunda-feira (31), gerou manifestações de órgãos públicos que repudiam o episódio, apontado como possível crime de racismo.
O suspeito foi preso em flagrante após disparar contra a vítima na Avenida Benjamin Constant. O homem atingido caminhava pela rua quando foi ferido no rosto e na cabeça por fragmentos do tiro. Ele foi socorrido e encaminhado ao hospital, onde recebeu atendimento médico.
Segundo a Polícia Militar, o médico alegou que ouviu seu cachorro latir e, ao verificar, viu uma pessoa supostamente tentando invadir sua residência. Ao abrir o portão, efetuou o disparo com uma espingarda calibre 28, acreditando se tratar de um invasor. No entanto, a vítima afirmou que apenas parou na rua para esperar sua enteada e que não conhecia o autor do tiro.
A arma utilizada no crime foi apreendida e o suspeito, que não possuía registro da espingarda, foi levado para a delegacia. No mesmo dia, ele foi encaminhado ao Presídio de Alfenas, sendo liberado na terça-feira (1º) após obtenção de um alvará de soltura concedido pela Justiça.
Nota de repúdio
A Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial e o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Alfenas divulgaram uma nota manifestando repúdio ao caso. No comunicado, os órgãos destacam a gravidade do ocorrido e afirmam que "o racismo estrutural não pode ser tolerado em nossa sociedade". A nota ainda ressalta a necessidade de medidas rápidas para responsabilizar o autor e evitar que situações semelhantes se repitam.
Posicionamento da defesa
A defesa do médico nega que o caso envolva motivação racista e argumenta que o profissional agiu em um momento de medo e insegurança. Segundo seus advogados, a residência do investigado teria sido alvo de furtos recentemente, o que o levou a reagir de forma precipitada ao barulho que ouviu naquela noite.
Os advogados informaram ainda que a arma utilizada pertencia ao pai do médico e que ele atirou sem perceber quem estava do outro lado da rua. A defesa afirmou que reconhece que a vítima é um trabalhador honesto e estuda a possibilidade de um acordo, incluindo uma eventual indenização.
Em sua declaração, a defesa destacou que o médico sente vergonha pelo ocorrido e que jamais teria intencionalmente atentado contra a vida de alguém, uma vez que sua profissão é salvar vidas.
Commentaires