Dólar dispara e bolsa cai com agravamento da guerra comercial
gazetadevarginhasi
há 2 dias
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O agravamento da guerra comercial entre China e Estados Unidos provocou fortes reações no mercado financeiro global nesta sexta-feira (4). O Ibovespa recuava mais de 3% e as bolsas internacionais desabavam, enquanto o dólar saltava frente ao real, refletindo o aumento da aversão ao risco por parte dos investidores.
Por volta das 14h40, o principal índice da bolsa brasileira caía 3,01%, aos 127.189,73 pontos. No mesmo horário, o dólar à vista subia 3,52%, cotado a R$ 5,8269 na venda.
O cenário de tensão foi alimentado pelo anúncio de novas tarifas por parte da China. O governo chinês informou que imporá uma alíquota de 34% sobre todas as importações dos EUA a partir do dia 10 de abril, em resposta ao aumento das barreiras comerciais imposto pelo presidente Donald Trump. Horas depois, Trump reagiu afirmando que a China "jogou errado".
As bolsas globais seguiram em queda acentuada. Em Nova York, por volta das 11h45 (horário de Brasília), o S&P 500 recuava 4,39%, o Nasdaq 100 perdia 4,81%, e o Dow Jones caía 3,72%. Na Europa, o índice Stoxx 600 operava com queda de 5,02%, a 496,85 pontos, ampliando as perdas da véspera. Na Ásia, o índice Nikkei, de Tóquio, teve queda de 2,75%, atingindo o menor patamar desde agosto do ano passado. Na Oceania, o mercado australiano entrou oficialmente em território de correção. Já as bolsas da China continental, Hong Kong e Taiwan não operaram devido a feriado.
A queda nos mercados foi agravada pela liquidação de ações de bancos. No Japão, os papéis dos três maiores bancos recuaram mais de 20% na semana, marcando a pior sequência desde a crise de 2008. Nos Estados Unidos e Europa, as ações do setor também seguiram em baixa, com o temor de que o conflito comercial leve a uma recessão global.
Trump anunciou na quarta-feira (3) uma tarifa geral de 10% sobre todas as importações, além de taxas mais elevadas para determinados países. No caso da China, a tarifa somou 54% com os reajustes anteriores. A resposta chinesa acendeu o alerta nos mercados sobre uma possível escalada ainda mais severa da disputa, envolvendo também outros parceiros comerciais, como a União Europeia.
"Não é só o impacto direto das tarifas que preocupa, mas o risco de intensificação do conflito e desorganização das cadeias produtivas globais", avaliou Eduardo Moutinho, analista do Ebury Bank.
Na quinta-feira (3), o dólar havia encerrado em baixa de 1,18%, a R$ 5,6290, o menor valor desde 16 de outubro de 2024. O alívio veio após o Brasil ter sido atingido apenas com a tarifa mínima de 10% nas novas medidas de Trump. No entanto, o clima mudou nesta sexta com a forte aversão ao risco, pressionando também outras moedas emergentes, como o peso mexicano, o rand sul-africano e o peso chileno.
No radar dos mercados também estavam os dados de emprego dos Estados Unidos. O governo informou a criação de 228 mil vagas em março, acima das 135 mil esperadas. A expectativa é que o Federal Reserve reaja com cortes de juros para evitar uma recessão. Antes do tarifaço de Trump, o mercado projetava duas reduções nas taxas; agora, já precifica pelo menos quatro cortes ainda em 2025.
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