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Coluna Fatos e Versões com Rodrigo Silva Fernandes - 04/04/2025

  • gazetadevarginhasi
  • há 10 horas
  • 8 min de leitura


Pó da estrada
Depois de passar quatro anos como prefeito, sem muitas viagens à Capital ou na região, o ex-prefeito Vérdi Melo agora tem rodado a região e realizado visitas pontuais a BH. O ex-prefeito vem estruturando sua candidatura a deputado em 2026 e tem feito contato com lideranças regionais. Nos últimos dias Verdi esteve em Belo Horizonte, onde recebeu prêmio pelo apoio e desenvolvimento da Educação, no período em que esteve à frente do Executivo municipal. A oportunidade única de registrar uma homenagem desta magnitude foi descrita por Verdi em suas redes sociais, que estão bem mais movimentadas que antes, o que deixa claro seu trabalho para as eleições de 2026. O ex-prefeito tem tudo para ser o deputado estadual mais votado em Varginha, mesmo porque, fez realmente uma boa gestão. Além disso, a habilidade maior de Verdi na política é no Legislativo e não no Executivo. Prova disso é que sua carreira política começou e se destacou no Legislativo, onde foi vereador e presidente da Câmara, saindo-se muito bem. E registre-se que quando Verdi foi vereador eram outros tempos, sem emendas parlamentares impositivas e Câmara Municipal sem o staff que tem hoje. Naquela época, Verdi Melo enfrentou oposição do Executivo, liderou CPI e ainda saiu com credibilidade política para lançar-se candidato a prefeito.

Pó da estrada - 02
O relato da vida política de Verdi Melo quando no Legislativo não desmerece sua trajetória no Executivo, onde também atuou bem, mas foram situações diferentes. Enquanto na sua vida legislativa Verdi penou na oposição, enfrentou e venceu desafios, não tinha recursos para ações e realizações e ainda assim ganhou notoriedade pública, na vida de Executivo foi bem diferente. A chegada de Verdi no Executivo foi, a princípio, na carona de vice de Antônio Silva. E ainda assim, como vice de Antônio Silva, Verdi tinha poucas atribuições de destaque e sem “tinta na caneta” para realizar projetos próprios. Sua ascensão surgiu com a renúncia de Antônio Silva que entregou de “mão beijada uma prefeitura organizada, enxuta e sem dívidas”. Aliás, na questão orçamentária, embora Antônio Silva não tenha deixado muito recurso em caixa, deixou um enorme crédito junto ao Governo Estadual, resultado das retenções irregulares que o então governador petista Fernando Pimentel fez de recursos que deveriam ter sido repassados à Varginha. Ainda hoje o prefeito Leonardo Ciacci recebe em parcelas a devolução deste recurso tomado irregulamente de Varginha. Verdi então passou seus anos como prefeito com um caixa gordo e que cresceu ainda mais durante seus anos como titular do governo. Não se pode dizer que Verdi foi um mal prefeito, mas é fato que ser um bom prefeito com muito dinheiro em caixa é algo fácil e que não testa, verdadeiramente, as habilidades do gestor.

Força Cooperativista da Saúde
Não é mistério que a Medicina é uma das áreas mais rentáveis no mercado de trabalho. Isso inclusive explica parte da força da Unimed em Minas e, particularmente, em nossa região. A Unimed é uma cooperativa médica e vem realizando um enorme trabalho na região. A entidade movimenta grandes somas de recursos e realiza a gestão de um complexo trabalho médico em Varginha, envolvendo hospital próprio, centenas de profissionais médicos e emprega muitas pessoas direta e indiretamente em suas instalações ou de seus cooperados. Boa parte dos médicos cooperados da Unimed também realizam trabalhos para o Poder Público, trabalhando também para prefeituras e mesmo para o Serviço Único de Saúde – SUS, do Governo Federal. Além disso, grande parte dos hospitais da região são públicos e também são área de atuação dos médicos da Unimed e alguns até realizam tratamentos particulares para os planos de saúde. Traduzindo em miúdos, a Unimed tem forte influência na gestão da saúde na região. Seja por ser o maior plano de saúde ou mesmo por ter entre seus associados/cooperados os gestores médicos das principais estruturas públicas de saúde nos municípios. Isso faz da Unimed, principalmente o comando da entidade, um local poderoso para qualquer profissional médico. A Unimed mudou recentemente seu comando em Varginha, que também administra a entidade em outras cidades da região. Enquanto em estados como o Rio de Janeiro a Unimed é uma instituição quebrada e desacreditada, em Minas e particularmente no Sul de Minas, a Unimed vem se fortalecendo cada dia mais, criando verdadeiros “barões da saúde” entre os seus comandantes institucionais.

Exército de um homem só!
O presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Varginha – Aciv, Andre Yuki vem realizando um grande trabalho na cidade em prol do desenvolvimento da economia local. Yuki vem preparando a Aciv para o futuro, capacitando os comerciantes e promovendo diálogo com outros parceiros estratégicos e com os poderes públicos para melhorar a economia e fortalecer o comércio. Contudo, o esforço parece solitário e poderia ser mais participativo. Percebam que, embora a Aciv carregue no nome o Comércio, a Indústria e a Agropecuária a entidade não é a única ou mesmo a principal porta voz destes setores. Os sindicatos patronais da Indústria, Comércio e Agricultura possuem grande força e são os porta-vozes de seus setores junto às poderosas instituições do Sistema S, como Fiemg, Fecomércio e Faemg. Mas a despeito de Varginha sediar diversos sindicatos do comércio, indústria e agricultura, são ainda poucas as ações conjuntas destas entidades com a Aciv e este é um problema que André Yuki precisa atacar. Enquanto luta sozinho por causas justas que afetam toda a economia, a Aciv poderia mobilizar e conclamar seus parceiros patronais para entrarem no esforço conjunto para melhorar a economia local. Se apenas com uma entidade em seu exército Andre Yuki vem fazendo a diferença, imaginem se contasse também com a força dos sindicatos patronais do Sistema S?

Prefeito itinerante
Neste início de governo em que vive uma “lua de mel com o eleitorado e a oposição”, Leonardo Ciacci tem percorrido obras pela cidade para acompanhar de perto as ações e construções da administração. Fazendo registros em vídeo e postando nas redes oficiais em tais incursões, o prefeito Ciacci parece viver um bom momento. Tais agendas estão capacitando o prefeito para os desafios da gestão e, obviamente, consolidando sua liderança (que chegou a ser questionada durante a campanha). Mas vale registrar que enquanto o prefeito Ciacci percorre a cidade, o vice Antônio Silva possui perfil diferente, mas focado na gestão intra gabinetes. Não se sabe ainda qual a extensão dos poderes de Antônio Silva na administração municipal. No “melhor dos mundos do custo benefício dito por alguns entendidos, seria ter Ciacci rodando a cidade conferindo os resultados, enquanto Antônio Silva cuida das questões administrativas e processuais. Mas até agora ninguém sabe ao certo, quem manda e o quanto manda na atual gestão. Mesmo porque, as ilações envolvendo o Secretário de Governo continuam grandes”. Quem questiona, o faz com cuidado; quem critica, o faz sem provas; quem elogia, o faz com interesse, o que deixa a análise do quadro administrativo municipal confuso!

Burocratizando e perdendo eficiência
A Guarda Municipal de Varginha vive um momento de instabilidade de eficiência na cidade. A instituição de segurança começou sua existência com ótimos números de entrega para a sociedade. Passou por um momento de disputas internas e perdas importantes de qualidade, vindo depois a perder atribuições por decisões judiciais que restringiram a atuação das guardas municipais em todo Brasil. Superada a questão judicial, com uma grande vitória jurídica com a conquista de atribuição e responsabilidades concedidas pelo Superior Tribunal de Justiça, para possuir poder de polícia, as Guardas Municipais agora vivem novo desafio: Não perder efetivo e eficiência com atribuições burocráticas inerentes ao crescimento e independência da estrutura. Em Varginha a Guarda Municipal tem gestão e estrutura administrativa independente da Prefeitura de Varginha, embora seja na verdade, um braço do Poder Executivo municipal. Isso implica que a Guarda Municipal está criando estruturas próprias de departamento de compras e licitações, almoxarifado e logística etc. Percebam que tais estruturas já existem na organização da própria Prefeitura de Varginha, mas serão replicadas em menor escala dentro da Guarda Municipal para atender exclusivamente a instituição de segurança.

Burocratizando e perdendo eficiência - 02
Na prática, isso significa que parte do efetivo da Guarda Municipal, que foi treinado e dotado de armas caras e capacitação técnica pagos com dinheiro público, serão redirecionados para atuações administrativas e burocráticas ao invés de estarem nas ruas combatendo a criminalidade. Isso é uma vergonha e perda de recursos públicos e qualificação técnica para a burocracia estatal. Muitas das estruturas administrativas criadas agora pela Guarda Municipal poderiam facilmente serem desempenhadas pelas estruturas já existentes na Prefeitura de Varginha, destinando assim o efetivo da Guarda Municipal para o trabalho de rua, que é o desejo da população de Varginha. Ou será que pagamos caro para que os guardas municipais fizessem cursos de tiro, comprassem armas importadas e carros zero quilômetro para que parte da tropa ficasse no ar condicionado realizando trabalho administrativo? Isso sim é um questionamento que o Legislativo precisava fazer! Será que a criação dos muitos departamentos administrativos internos da Guarda Municipal vão implicar na perda de efetivo policial para trabalhos administrativos e burocráticos? Não poderiam os servidores públicos da Prefeitura de Varginha, serem deslocados para tais atividades dentro da Guarda Municipal, visto que tal instituição pertence ao Poder Executivo municipal? Afinal, o Executivo municipal vive cedendo servidores para atuarem em instituições apartadas do Executivo municipal como Justiça Eleitoral, AGU etc. Não seria hora de mudar esta sistemática?

Saco de bondades
Quem acompanha o Diário Oficial do Município de Varginha deve ter reparado que nas últimas semanas diversas nomeações em cargos menores ocorreram no Executivo municipal. Cargos de terceiro e quarto escalão, bem como a concessão de diversas benesses e licenças. Tais publicações obedecem as negociações, acertos antigos, negociados ainda no período eleitoral, quando foram feitas promessas que não poderiam ser realizadas de uma única vez. Se o prefeito Ciacci tem uma virtude identificada nestes primeiros meses é o compromisso com a palavra empenhada. Mas ainda é cedo para dizer que “tudo foi pago”. Mesmo porque tem muitos compromissos ainda “na gaveta para serem honrados”. Substituições que chegam ao primeiro escalão, que Ciacci ainda vê a forma de cumprir o que foi acordado. Sem falar nas muitas mudanças administrativas e estruturais hipotecadas aos apoiadores. Ao tempo que o momento de “lua de mel com o eleitorado” vai passando, Ciacci vai sendo relembrado todos os dias que ainda tem compromissos a serem cumpridos com a base de apoio. Ou seja, o saco de bondades está apenas no começo...

Bala na agulha?
Publicação no Diário Oficial do Município de 20 de março aponta um grande investimento da Prefeitura de Varginha em um novo Acelerador Linear de fótons, o que em tese, deveria dobrar a capacidade do Centro de Oncologia administrado pela Fundação Hospitalar do Município de Varginha – Fhomuv. Vale destacar que já temos um equipamento desses em funcionamento, que aliás foi adquirido recentemente. Seria este equipamento um novo investimento para dobrar a capacidade atual do centro de oncologia ou o antigo Acelerador Linear adquirido pelo Município estaria com problemas? Fato é que o contrato 011/2025, datado de 27/02/2025, indica a existência de Concorrência Eletrônica de nº 104/2024 no âmbito da Prefeitura de Varginha. O objetivo da concorrência seria a aquisição e instalação de 1 (um) acelerador linear de fótons (monoenergético 6MV) de gantry fechado com auto-blindagem, para a Seção de Radioterapia da Fundação Hospitalar do Município de Varginha. O caríssimo aparelho teria sido adquirido pelo Município de Varginha da empresa Varian Medical Systems Inc, pelo valor de US$ 1.294.594,00 (hum milhão, duzentos e noventa e quatro mil, quinhentos e noventa e quatro dólares), o que no câmbio atual do dólar daria valor superior a R$ 7,5 milhões de reais, bem mais caro que o último aparelho adquirido recentemente. Certamente que o Governo vai esclarecer a compra e, em caso de novo aparelho para ampliação do atendimento no centro de oncologia, isso será divulgado e festejado. Contudo, se a compra de mais uma Aceleradora Linear for em razão de problemas com o aparelho já existente na cidade, o caso vai fazer corar muita gente!

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