segunda-feira , 18 dezembro 2017
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Pauta de exportações brasileiras deve ser repensada

É preciso mudar a pauta de exportações brasileiras. Foi o que defendeu o assessor técnico da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio (SRI) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Marcos de Sá. Ele participou, na tarde desta quinta-feira (30/11/17), do Ciclo de Debates Produtos Especiais dos Campos de Minas: As Tecnologias e os Mineiros em Destaque.

O evento, promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), teve início pela manhã e prossegue nesta sexta (1º/12). O assessor do Mapa ministrou a palestra “Produtos especiais de Minas no comércio internacional”.

De acordo com ele, embora a quantidade de toneladas de exportação esteja aumentando ao longo dos anos no Brasil, o preço dos produtos vem caindo. “Isso porque exportamos essencialmente commodities. Precisamos vender produtos com maior valor agregado”, afirmou.

O assessor relatou que o Brasil tem concentrado as exportações, sobretudo, em soja em grão (27%) e carnes (20%). Em sua opinião, produtos mineiros como os cafés especiais, queijos, azeites e vinhos têm grande potencial para agregação de valor. “Precisamos manter as commodities, mas diversificar as exportações”, salientou.

Ações – Marcos de Sá ressaltou algumas iniciativas do Mapa para ampliar a promoção do agronegócio brasileiro no mercado internacional. Uma delas é o estabelecimento de estratégias a partir de consultas à sociedade. “Atualmente, há cerca de mil negociações do ministério em curso, mas não existe uma categorização da importância de cada uma delas. Não há uma estratégia internacional para o agronegócio brasileiro”, comentou.

Ele relatou que há o consenso de que deve haver uma abertura de mercado para os produtos artesanais, por exemplo. Mas isso deve ser apontado nessas consultas, como disse. “A expectativa é de que, até janeiro de 2019, haja a definição desses eixos”, contou. De acordo com o assessor, o objetivo é ampliar a participação da produção agrícola que é exportada, de 6,7% do total nacional, para 10%.

Outra iniciativa é o Plano Melhor do Agro Brasileiro, que tem como finalidade a consolidação da imagem do setor. “Há a tentativa de países concorrentes em denegrir os produtos brasileiros. Mas há muitas iniciativas de controle e preservação ambiental aqui, que devem ser apresentadas no exterior”, enfatizou.

Divulgação – O deputado Antonio Carlos Arantes (PSDB), que preside a Comissão de Agropecuária e Agroindústria da ALMG, destacou que tem a expectativa de que o evento seja mais um instrumento para divulgar os produtos especiais mineiros.

Azeite tem potencial para crescimento

Segundo o engenheiro agrônomo e pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) Adelson Francisco de Oliveira, o Brasil é o terceiro maior importador de azeite de oliva e o segundo maior importador de azeitonas do mundo.

Nesse contexto, ele ressaltou que há um grande potencial de crescimento para a produção de azeite no Brasil e no Estado. O engenheiro foi um dos participantes de painel que abordou a cadeia produtiva do azeite.

Para o presidente da Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira (Assolive) e consultor especializado em olivicultura Nilton Caetano de Oliveira, é importante estar atento à qualidade dos produtos.

Para isso, é necessária uma análise periódica dos azeites. Ele acrescentou que a entidade, que conta com 55 associados, trabalha na elaboração de um selo de qualidade.

Usos – A variedade de apropriações que o produto permite foi destacada pelo gastrônomo, olivicultor e gestor do projeto Aproxima, Eduardo Maya, e pela azeitóloga Ana Beloto. Eles disseram que é preciso encarar o azeite como o vinho. Cada item harmoniza com um prato, como explicaram.

Assistência técnica na apicultura é demandada

O presidente da Cooperativa dos Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas, Luciano Fernandes, enfatizou que é difícil aumentar a produção sem uma assistência técnica continuada. Ele demandou que haja incrementos nesse sentido. “Esse acompanhamento garante o aumento da produtividade em quatro vezes”, salientou.

Luciano Fernandes, que participou de painel sobre a cadeia do mel, disse que a apicultura representa um modelo sustentável de produção. Ele ressaltou que a atividade cumpre também um papel social, já que inclui diversos agricultores familiares.

Para o presidente da Federação Mineira de Apicultura, Cézar Ramos Júnior, o própolis verde, que já foi considerado um subproduto, tem ganhado o mercado internacional. “A produção tem sido crescente, com 100 toneladas/ano”, comentou.

Iniciativas – O médico veterinário e analista em Desenvolvimento Regional da Companhia de Desenvolvimentos dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Fabricio Lopes da Cruz, destacou ações em favor dessa cadeia produtiva, como a implantação de unidades de beneficiamento, a certificação da produção e a capacitação de produtores.

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