segunda-feira , 18 dezembro 2017
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Doar e receber sangue: processos que multiplicam saúde

Tudo começa com o gesto voluntário, espontâneo e solidário de doar sangue. Mas, para chegar a quem dele precisa, o sangue doado passa por vários processos e procedimentos, gerando o máximo de aplicações para beneficiar ainda mais pessoas.

Logo após o término da doação, a bolsa de sangue total (que contém todos os componentes sanguíneos) coletada em uma doação de sangue pode dar origem a hemocomponentes e hemoderivados. Quem explica melhor o que acontece é o farmacêutico habilitado em análises clínicas, Alessandro Ferreira, que trabalha na Fundação Hemominas há 12 anos e é o responsável pela equipe de fracionamento do Hemocentro de Belo Horizonte (HBH).

“Todo sangue doado precisa passar por uma série de etapas, até que esteja separado nos produtos que chamamos de hemocomponentes. Existem muitos processos que são aplicados na bolsa de sangue até que obtenhamos o produto final”, relata.

Hemocomponentes são os produtos gerados em serviços de hemoterapia, por meio de técnicas de centrifugação que permitem o fracionamento da bolsa de sangue total em concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas, plasma fresco congelado e crioprecipitado. Estes hemocomponentes são utilizados para transfusão sanguínea, sendo que cada bolsa proveniente de uma doação pode beneficiar várias pessoas.  Os hemoderivados são produzidos em escala industrial, via processamento do plasma, que é submetido a um tipo de fracionamento que permite extrair proteínas específicas como, por exemplo, os fatores da coagulação sanguínea e albumina.

 

Os hemocomponentes são os seguintes:

Concentrado de hemácias (CH) – A parte vermelha do sangue que contém as hemácias (células sanguíneas responsáveis pelo transporte do oxigênio para todo o corpo humano). Utilizado em anemias agudas, como as causadas por hemorragias que ocorrem, por exemplo, em acidentes ou cirurgias com grande perda de sangue, sua validade é de 35 a 42 dias (dependendo da solução de conservação), após a coleta de sangue.

Concentrado de plaquetas (CP) – Componente claro que contém as plaquetas, responsáveis por um dos mecanismos de coagulação que impedem a continuidade do sangramento, formando um tampão nos vasos sanguíneos. É utilizado em caso de alteração da função ou diminuição do número de plaquetas, como os que ocorrem em leucemias e quimioterapia. Sua validade é de cinco dias após a coleta de sangue.

“Além desses fatores em que normalmente o concentrado de plaquetas é utilizado, também ocorrem casos em que o paciente com o número de plaquetas baixo precisa de uma cirurgia: eles vêm aqui no ambulatório, recebem o concentrado e podem fazer a cirurgia posteriormente”, explica Ana Luiza.

Plasma fresco congelado (PFC) – É a parte líquida do sangue, contendo água, proteínas e íons, e fatores responsáveis pelos outros mecanismos de coagulação, além da plaqueta. Utilizado em sangramento e deficiência de vários fatores de coagulação, como as que ocorrem em grandes queimados e portadores de hemofilia B. Dura um ano após a coleta de sangue.

“Também utilizado para alguns preparos cirúrgicos, normalmente em pacientes em que o fígado não produz fator de coagulação. É utilizado, ainda, em pacientes com deficiência de algum fator de coagulação que não está disponível comercialmente”, esclarece a clínica médica e hematologista.

Crioprecipitado (CRIO) – É um precipitado originado do descongelamento do PFC em temperatura de 4 °C. Rico em fator VIII, fator XIII e fibrinogênio e utilizado em pacientes com deficiência de fatores de coagulação (fibrinogênio e outros). Dura um ano após a coleta de sangue.

“Atualmente é utilizado em situações muito específicas, como repor fibrinogênio em pacientes com coagulação intravascular disseminada ou quando há sangramento em pacientes portadores de deficiência de fibrinogênio, fator XIII ou fator de von Willebrand, e os fatores de origem industrial estão indisponíveis”, afirma Ana Luiza.

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