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Coluna Trajetória 12/12/2017

                                            Androides

 Desde bebê somos criados como androides, obedecendo às tradições dos nossos pais e da sociedade. Ressalvando nossos pais, achamos que valeram muitas coisas que aprendemos com eles, especialmente quanto à educação chamada de berço, mas fomos manipulados pelo sistema, oriundo da ignorância da fronteira do desconhecido.

Como muitas outras pessoas, nunca conseguimos assimilar o que nos contavam e o que líamos, sempre havia algumas desconfianças naquilo que tentavam nos impor como verdade, principalmente quando as coisas fugiam da razão.

Muitas vezes abandonávamos livros de ciências exatas ou humanas e também livros de religião para não sermos influenciados e deixarmos de raciocinar com lógica.

A partir do iluminismo, houve uma fuga da crença para a lógica e produção em escala. Estes marcos históricos dinamizaram o progresso em todas a áreas e passou-se a encontrar respostas mais convincentes, iniciando-se uma mudança considerável até chegarmos a esta deslumbrante tecnologia que temos hoje.

Daí, com a invenção da tecnologia de imagens, começamos a nos interessar pela parte mais enigmática do corpo humano, o cérebro. Mapearam-no –  hoje temos noções quase exatas dos estímulos que em contra partida influenciam a fisiologia e as emoções.  Esta área foi denominada de Neurociência.

Para nós é um hobby prazeroso ler sobre Filosofia, Etimologia, Política, Retórica, Administração pública, Hospitalar, Economia, Astronomia, Ética, idiomas, Física Moderna, Quântica, Sociologia, estudo da Espiritualidade e Neurociência.

Acabamos de ler um experimento da neurociência que nos deixou intrigado, chamado de “A origem do mal”.

Definiram que nossa visão tem duas partes, uma é a área do reconhecimento facial a outra de reconhecimento das coisas que não são humanas.

Escreveram também que as pessoas têm a área do espelhamento que refletem as emoções dos outros e nós, automaticamente, nos associamos a ela, recebendo os mesmos estímulos. E uma terceira área cerebral, que distingue das outras duas anteriores, que é a área onde está o caráter.

O que tentamos passar está muito resumido, foi para explicar a origem do mal, nas pessoas que não têm um circuito empático. A insensibilidade de uma pessoa maldosa, psicopata mesmo, que não reconhece o semelhante, segundo os cientistas, tem origem numa anomalia do cérebro. Sem tratamentos alopáticos e psicoterapêuticos, só podem ser reprimidos pelo grau de caráter de cada um. Estas pessoas maldosas, psicopatas, não classificam os outros como humanos e sim como coisas, não têm espelhamento, portanto tudo para eles são coisificados e descartáveis.

Lemos sobre uma experiência sobre coisificação que passamos a refletir – Colocaram um garoto bem vestido numa avenida movimentada de uma grande cidade e repetiram a experiência em outras mundo afora, e não é que a cada cinco minutos parava um carro indagando o que o garoto estava fazendo naquele lugar. Pegaram a mesma criança, vestiram-na com roupas velhas e sujas, e durante oito horas não parou ninguém. O mesmo rosto que na área da visão facial humana, enquanto limpo, fora abordado muitas vezes, maltrapilho e sujo, tornou-se apenas uma coisa invisível.

Não concordamos com a anomalia do psicopata, pois se assim fosse, ele seria um doente e não poderia ser considerado responsável pelos seus atos de coisificação. Por outro lado, tiramos uma conclusão de que somos coisificados e coisificamos as pessoas em função da sociedade soberba em que vivemos.

No nosso habitat, cercado por esta selva de pedras, só temos o reconhecimento facial e o espelhamento quando se trata de pessoas da nossa mais estrita convivência. Do contrário, nosso circuito empático se anula pelas diferenças discriminatórias raciais, religiosas, de rótulos, de poder, de ideias contrárias, e outros sentimentos negativos, salvo melhor juízo, sem generalizarmos, somos androides ou doentes anímicos.

                                                                                                                    Luiz Fernando Alfredo

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